Piracaia>>História

A origem do nome "PIRACAIA" é guarani, que segundo o Professor Silveira Bueno, no grande Dicionário Etimológico - Prosódico da Língua Portuguesa, o seu significado é "cardume de peixes" ou "reunião de peixes".

Piracaia, antiga Santo Antonio da Cachoeira, foi fundada à então Freguesia de Nazaré,a nordeste da capital do Estado, a margem esquerda do Rio Cachoeira, em território que pertencia ao município de Atibaia.

Sua fundação data de 16 de junho de 1817, quando dona Leonor de Oliveira Franco fez a doação do terreno e mandou construir por sua própria conta uma pequena ermida sob a invocação de Santo Antonio. O rápido desenvolvimento da povoação culminou na sua elevação a freguesia, por lei provincial de 05/3/1850. Mais tarde, em 24/3/1859, pela Lei nº 80, passou a categoria de município e em 25/8/1892 passou a categoria de comarca. O município passou a chamar-se Piracaia, pela Lei nº 997 de 20/3/1906.

O florescente município alicerçou-se na cultura cafeeira, a qual trouxe inúmeros benefícios, haja vista, a estrada de ferro e seus belos e antigos casarões, os quais muitos ainda existem.


MEMÓRIAS... (LEONOR FRANCO)

(...) Este vistoso local onde nos achamos, este formoso largo onde se ergue um templo magnifico, entre prédios de moderno gosto, não passava outrora de uma pequena roça de milho pertencente a D. Leonor de Oliveira Franco, e plantada nos tempos coloniais do sr. Dom João VI, nosso rei. Era essa roça toda cercada de palmitais e guanchumais a perder de vista. Nem uma cabana até os morros, até as posses longiquas dos lavradores confrontantes do grande bairro.

Mas como quisesse a devota fazendeira conciliar dentro d’alma o desejo de homenagear Santo Antonio de Pádua, intercessor de sua particular estima, com o anseio de conservar bem perto de seu coração o neto amado, que era o padre Camillo de Moraes Lellis, a cujos estudos protegera e custeara, resolveu conceder ao santo aquele terreno e ai erigir uma capela para fundação de uma vila, como sempre repetia entusiasmada a parentes e íntimos.

Reunida para isso, num dia de 1817, por um dos filhos toda a escravaria e convidados os roceiros das montanhas, formou-se um mutirão grandioso de duzentos e muitas pessoas, abateu-se um boi, sacrificaram-se alguns suínos, abriu-se um barril de aguardente e entre libações, risos e cantos, se colheu o milho, desbravou-se a colina, cortaram-se palmitos em redor e começou-se logo o barrotear do pequenino templo, com grande espanto da passarada esvoaçante sobre tanto movimento. Não havia telhas ainda para a modesta capelinha. Mas, urgindo benze-la (para o que já se pedira e obtivera autorização do sr. bispo Dom Matheus Moreira), os homens, sob as ordens do Tenente José Antonio de Oliveira, filho da doadora e dirigidos pelo ativo Domingos de Oliveira, jovem mulato de confiança, cortaram outros palmitos, aproveitaram as hastes e ramagens para os caibros e cobertas provisórias e construíram com algumas tábuas, o altar mor do humilde rancho que mal merecia o nome de modesta ermida, tal a sua pequenez e rudeza.

A inauguração se marcara provavelmente para 13 de junho, dia destinado pelo calendário a festa do santo padroeiro, mas na verdade é que o padre Luís de Souza Freire, vigário da freguesia nazarena só aqui chegou para este ato no dia l6.

Para a colina começou a afluir aos domingos, alguma gente da vizinhança, por achar mais cômoda a missa do padre Camilo que a do vigário da freguesia, dando mais que o exemplo de afeição à terra, mandara dona Leonor edificar uma casa do lado da capela no que foi imitada por alguns parentes, freqüentando o oficio divino. Já velha e enferma, deixava-se conduzir num tamborete de couro pelos escravos, e, dentro do templo, sobre um largo tapete previamente estendido, recostava-se nos braços das crioulas e ouvia deliciada a missa de seu querido neto.

Confirmada mais tarde a doação do terreno, retocada a capelinha ainda sem torre, mas já com o seu sininho dependurado em uma trave ao lado, conseguiu-se em 1830 do novo bispo, D. Manoel de Andrade a suspirada mercê de se converter a singela ermida em capela curada. E pode assim D. Leonor sossegar o seu coração, vendo o neto amado benzer todo o templo, e, alto, elegante, celebrar a missa como capelão de fato e de direito, perante a imagem do Padroeiro trazida de longiquas terras pela solicitude incansável do Tenente Oliveira. E,. dona Leonor, embora, não visse ainda a vila de seus sonhos, fechou os olhos tranqüila em sua capela curada, deixando tão alta fama de suas virtudes, que uma lenda se formou, muitos anos depois quando se lhe abriu a sepultura na igreja de Nazaré, para onde se lhe trasladara o corpo, que aí ainda a encontraram inalterada, tal como a viram em vida, no tempo em que ela, serena e boa dormia em sua cadeira de couro sob o preto véu com que costumava enrodilhar a fronte.

Fácil vos será imaginar em que consistia a povoação em meio do segundo quartel do século passado. A igrejinha em cima, já em parte sem o mato que a cobria e já em parte de taipas mandadas socar por padre Lellis em torno da primeira capela; oito a dez casas entelhadas em redor, algumas choupanas recobertas de palha disseminadas até o ribeirão, o guanchumal e plantas entrelaçantes e espinhentas até o cerrado matagal.


(Trechos de UM CENTENÁRIO - conferencia realizada no teatro

Santa Áurea em 16-6-1917 - proferida por Dr. Afonso de Carvalho)

(acervo de Ginca Baptista – colaboração Valter Cassalho)

 
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